Ainda que a lei proíba, muitos motoristas ainda não conseguem resistir à tentação de atender a uma ligação telefônica enquanto estão no volante do automóvel. Outros aproveitam para os momentos de tráfego mais intenso para trocar o CD, preencher um cheque e outras tantas tarefas, muitas das quais aparentemente simples.
A maioria acredita que executar essas pequenas atividades, ao mesmo tempo em que se dirige um veículo, não afeta a segurança de quem está no carro. Mas não é isso que conclui um estudo elaborado pelos cientistas Jonathan Levy e Harold Pashler da Universidade da Califórnia. Batizado de “Interferência Central na Direção: será possível impedir o período refratário psicológico?”, o estudo foi divulgado no início de março pela Association for Psicological Science.
Duas tarefas ao mesmo tempo
O estudo analisa a redução de nossa capacidade de resposta quanto estamos conduzindo múltiplas tarefas ao mesmo tempo, que é conhecido como período refratário psicológico, ou PRP. No total, 40 estudantes participaram do estudo, que envolvia dirigir através de um simulador composto por uma tela de plasma, uma direção e dois pedais (localizados no chão), que controlavam o freio e o combustível.
Durante a simulação, os estudantes foram instruídos a seguir um carro e frear sempre que vissem a luz do carro da frente acender. Enquanto conduziam esse teste, os estudantes tinham que, ocasionalmente, conduzir uma outra tarefa bastante simples.
A segunda tarefa deveria ser completada sempre que um som ou uma luz aparecesse na janela traseira do carro que estavam seguindo. Enquanto em alguns casos a segunda tarefa era apresentada simultaneamente à primeira, em outros ela era apresentada com um intervalo de 350 milésimos de segundos.
Para indicar que haviam percebido o sinal, os estudantes tinham que apertar uma chave na direção ou simplesmente dizer alto as palavras: “um” ou “dois”.
Mais lento mesmo com mãos livres
A pesquisa indica que, nos casos em que as duas tarefas eram executadas simultaneamente, os estudantes frearam 174 milésimos de segundos mais devagar, o que sugere que o efeito PRP ocorre mesmo nas situações mais simples. Ainda que a diferença pareça pequena, os cientistas lembram que, para um carro andando a 40 km/hora, isso pode se traduzir em uma distância de cinco metros: mais do que o suficiente para evitar uma colisão ou atropelamento.
Como não houve diferença de resultados quando o estímulo era sonoro ou visual, os cientistas acreditam que, mesmo nas tarefas que não envolvem o uso das mãos, ou que não exigem estímulo visual, prejudicam a atenção de quem está dirigindo. Para Jonathan Levy o estudo confirma que a liberação das mãos não garante uma resposta mais rápida do motorista, o que sugere, por exemplo, que dirigir falando no celular, mesmo que através de fone de ouvido, possa ser tão perigoso do que dirigir com o aparelho nas mãos.
Fonte: InfoMoney
