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22 de abril de 2010

Na saúde, despesas são diferentes.

Ricos destinam maior parte dos gastos em planos de saúde e prevenção; os pobres, em remédios.

  

O Perfil das Despesas no Brasil, divulgado ontem pelo IBGE, mostra que as famílias mais ricas no País investem mais em planos de saúde e prevenção, enquanto os mais pobres destinam grande parte do que usam em assistência à saúde para a compra de remédios. Medicamentos comprometem 76% dos gastos com saúde das famílias mais pobres (renda até R$ 400,00), fatia que para as mais ricas (acima de R$ 3 mil) representa apenas 23,7%.


O trabalho também detalha que as despesas com planos e seguros de saúde entre as famílias mais pobres representam 7% do total destinado à saúde. Nas famílias com renda acima de R$ 6 mil, a fatia desses pagamentos chega a 37,19%.


‘Quem se previne e pode gastar com saúde no País? Só os ricos. Os pobres ficam refém da disponibilidade financeira, que não têm, e demandam serviço público’, disse a socióloga e técnica do IBGE Lilibeth Cardoso Ferreira.


De forma geral, os dados da saúde também refletem a desigualdade de renda e gastos entre as famílias brasileiras. Basta ver que o grupo das famílias 40% mais pobres gastam R$ 63,49 ao mês com assistência à saúde, enquanto os gastos das famílias 10% mais ricas são de R$ 432,67 mensais.


Chama a atenção, também, que o gasto mensal médio das famílias mais ricas com plano de saúde é de R$ 150,28, enquanto o gasto das mais pobres fica, na média, em R$ 2,70 por mês.


O IBGE informa que os orçamentos familiares dos grupos mais ricos ‘privilegiaram investimentos no acompanhamento e monitoramento das condições de saúde de seus membros’.


Já ‘pobres não têm planos e seguros de saúde, apontando para necessidades imperiosas de serviços públicos que tenham atendimento e resolutividade desse contingente populacional’.


O IBGE também calculou que as famílias mais pobres pagam com recursos próprios 44,1% do que consomem em assistência à saúde – o restante é prestação pública ou doações, basicamente. Já dentre os mais ricos, a fatia paga com recursos próprios salta para 86,9% dos gastos.


PARTICIPAÇÃO NO TOTAL


A proporção de gastos com saúde é baixa no País. ‘As despesas com assistência à saúde, nas diferentes classes de renda, se mantiveram entre 4% e 6%, demonstrando que as decisões sobre despesas familiares com assistência à saúde não tiveram lugar destacado, o que é um indicador das prioridades ou reais necessidades de consumo das famílias’, registra o trabalho.


Assim, o levantamento do IBGE conclui que os gastos para ‘morar’ e ‘alimentar-se’ nas classes de renda mais baixa correspondem a quase 70% das despesas mensais. Os mesmos gastos para os mais ricos representam 31,8%, pois têm maior abrangência de consumo.


A pesquisa também identificou que as despesas com saúde nas áreas urbana ou rural para as famílias mais ricas não registravam diferenças significativas. Para o IBGE, isso referenda a tese de que ‘a disponibilidade de renda é o fator determinante para as despesas com atenção à saúde’. No Norte e Nordeste, as despesas com saúde não chegavam a R$ 100,00 ao mês. Já no Sul e Sudeste, os valores foram, respectivamente, de R$ 129,13 e R$ 180,87.


Fonte: CQCS

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