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O poder e os acidentes do tráfego

A inviabilidade do socialismo soltou seus diabos contra a liberdade econômica. A vitória do homem sobre caprichos utópicos e ódios estéreis tem inimigos. Dentre as atividades vitais do capitalismo (não é o caso brasileiro) está o seguro.


Tão antigo quanto o homem, o seguro tem uma matéria-prima: o risco. Para permitir o acesso da população à reposição de bens, responsabilidades e reparação da economia familiar, estatísticas orientam os atuários e as seguradoras para calcular o risco e seu custo justo.


No Brasil, o prêmio (preço) do seguro é estabelecido pelo cartel, um dos mais viciosos desvios do capitalismo. Vamos nos valer, portanto, de estatísticas americanas. O seguro mais popular é o de automóvel. É estatisticamente que se avalia o que agrava o risco. Uma delas é de uma notável eloqüência didática.


Dirigir é uma extensão do homem, e os inseguros adquirem sensação de força e poder absolutos. Na década de 1950 a 1960, no auge do movimento feminista, no início, a mulher era uma motorista prudente. No ano de 1955 ela se igualou ao homem e, no final da década, o superou. Em 10 anos conquistara a noção de sua liberdade e poder sem as responsabilidades inerentes. Hoje, os riscos de ambos os sexos se equivalem.


O mesmo ocorre com os adolescentes e os alcoolizados. A idade, via de regra, traz segurança e maturidade. As estatísticas comprovam a evidência dos fatos: mais de 50% dos acidentes envolvem a faixa dos 16 aos 24 anos. Os pais têm sua responsabilidade multiplicada: prevenir, dar exemplo evidenciando o perigo letal do álcool e das drogas, isto é, ser, com amor verdadeiro, responsáveis e alertas para a terrível contabilidade do trânsito. O governo, por sua vez, deve conservar as rodovias minimamente decentes.


O Brasil, é, poucos se dão conta, um exemplo de cartelização financeira (inclusive nos seguros) sem precedentes no mundo. Não se precisa de estatísticas: não há concorrência. Bancos e seguradoras estabelecem suas metas de resultados e os clientes pagam, compulsoriamente, sem estrilar, as tarifas, taxas e adicionais de fracionamento (juros no seguro) que lhes garantam a margem de lucro, por todos os títulos, desonesta com o cliente e com o País.


Fonte: Jornal do Comércio (CQCS)

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