Benefícios ligados ao automóvel, solidez da empresa e agilidade no pagamento de indenizações também devem pesar na decisão de trocar ou não de seguradora.
A primeira coisa que vem à mente quando se pensa na renovação do seguro do automóvel é o preço. Sempre vem à mente aquele bônus acumulado pela não utilização da apólice.
As companhias concedem descontos em suas tabelas aos clientes que reformam suas apólices e, quanto maior o período de cobertura sem pagamento de franquia, em tese, maior o benefício. Contudo, esse não é mais o único diferencial.
Quando se negocia preço, o que ocorre normalmente são descontos já embutidos nos custos, concedidos à medida que o segurado não acumule sinistros. Mas o mercado é muito competitivo, com margens estreitas, portanto a era de reduções robustas não mais existe`, garante Luiz Roberto Castiglione, da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e do Instituto Roncarati.
Na prática, o valor do seguro aumenta a cada renovação. Os aumentos projetados para 2006 giram entre 3,5% e 4,5%. Quando o seguro não fica mais caro, normalmente é em função de bônus ou por conta da mudança do perfil do usuário.
Exemplos? Paga mais uma pessoa de 25 anos do que uma de 35. Quando o veículo passa a ser estacionado em local fechado durante a noite (quando antes `dormia` na rua) há redução. Preços melhores também originam-se a partir das mudanças de endereço para regiões com índices de roubos menores. Por tudo isso, responder com precisão o questionário de avaliação de risco é um cuidado que todos devem ter`, aconselha Ricardo de Sá Acatauassú Xavier, diretor de automóvel e assuntos institucionais da Fenaseg, a Federação das Seguradoras.
As estratégias das companhias são diversas. A mais recente delas, atrelar ao contrato uma série de benefícios, mesmo sem que haja relação com o objeto do seguro, vem sendo bastante utilizada como diferencial.
Assim, a pessoa protege o carro e ganha como brinde mão-de-obra especializada de encanadores, eletricistas e chaveiros, serviços com foco residencial. Eles se somam à assistência 24 horas, carro reserva, guincho, despachantes, etc. Ricardo Xavier recomenda uma criteriosa avaliação da real necessidade de cada um. `Eles oneram a apólice`.
Apesar de serem serviços úteis, os profissionais do setor recomendam cautela para que essa espécie de `algo mais` não se torne o principal ponto da decisão na hora de contratar ou renovar. `A especialização da empresa é o ponto principal. Depois disso é que devemos levar em consideração esses agregados`, ensina Luiz Roberto Castiglione.
Mais cético, Leoncio de Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), recorre a um com ditado popular: `Quando a esmola é muita, o santo desconfia`.
Ficar atento ao prazo de cobertura é essencial. Não se deve deixar para renovar a apólice no último dia. `A pesquisa de preços é importante. O mais recomendável é iniciar esse processo bem antes do vencimento`, aconselha Castiglione. Arruda reforça: `O risco de fazer tudo no final é de ter de passar por nova vistoria e ficar sem cobertura entre o fim da antiga apólice e o início da nova`.
Há obrigações do corretor que devem ser conhecidas pelo cliente. A ele não cabe apenas acompanhar o seguro, mas lembrar quanto ao vencimento do contrato e propor alternativas para a renovação. Para isso, esses profissionais ganham a comissão de corretagem. `Pelo novo Código Civil podem ser processados por seguros mal elaborados`, alerta Castiglione.
Há situações básicas capazes de gerar problemas na renovação. Quando da vistoria prévia a situação do veículo deve ser compatível com a anterior, considerando, evidentemente, a depreciação do automóvel. `Além disso, é preciso verificar se não houve mudança no risco, ou seja, novos condutores, como o filho que completou 18 anos e começa a pegar o carro do pai`, cita Arruda.
Caso haja aumento, é vital compreender suas razões para não se precipitar e trocar de companhia sem pensar, principalmente quando se trabalha com uma seguradora `de primeira linha`.
Como identificá-las? `São sólidas, com credibilidade e agilidade no pagamento de indenizações. Preço baixo não é sinônimo de bom atendimento em situação difícil`, resume Castiglione.
Xavier, da Fenaseg, explica que os valores seguem um cálculo estatístico e atuarial. Nele, entra a experiência da companhia naquela carteira, no veículo específico e outras variáveis. `Por isso não existe uma referência média precisa de reajuste`, afirma.
No mercado, a apólice pode estipular a cobertura ou não. A opção que especifica quanto será pago pelo bem em caso de sinistro é a de valor de mercado, que apresenta menor custo.
A desvantagem: risco de redução da indenização em função do preço praticado no momento. Pelo custo determinado existe a certeza de receber o que se estabeleceu, é o que está estipulado na apólice, mas ela custa mais.
Fonte: Segs
