O setor precisa criar produtos que busquem a eficácia. A validade do seguro como instrumento de proteção é inquestionável. Se não existisse o seguro, certamente muitos projetos não teriam seqüência, planos e sonhos não seriam retomados, além do que muitas pessoas teriam de passar por momentos difíceis, experimentando sérias privações.
O seguro é sem dúvida um agente do bem, que traz tranqüilidade aos que dele possam se utilizar, considerando seu absoluto sentido reparador.
Todavia, não obstante a validade do seguro, considerável parte da sociedade brasileira dele desconfia, e muitos dos que dele utilizam entendem tratar-se de um produto que pode trazer lucro para o segurado – uma posição certamente equivocada, pois os cálculos atuariais que contemplam as operações de seguro são elaborados para repor perdas e não para gerar lucros para os tomadores do seguro.
Talvez esse raciocínio esteja fundamentado na suposição de que as sociedades seguradoras arrecadem muito mais do que pagam em indenizações, o que não é verdade. No exercício de 2004, dos 100% dos prêmios (custo do seguro) arrecadados, 67% foram devolvidos aos segurados em forma de indenização e 36% gastos com custos comerciais, administrativos e impostos. Aliás, os números públicos revelam que a maioria das sociedades seguradoras no Brasil gastam mais do que arrecadam e a operação somente avança pelos ganhos das aplicações financeiras, visto que, nas operações de seguros, os sinistros acontecem decorrido algum tempo da entrada das receitas.
Como infelizmente em nosso país a criminalidade em geral evoluiu de maneira galopante nos últimos anos, no setor de seguros ela também se faz presente através da fraude ? maus segurados praticam atos desonestos (de maior ou menor gravidade, mas todos, sem dúvida, graves), fato que contraria o cálculo atuarial e que necessariamente aumenta o preço do seguro, prejudicando não só as seguradoras, mas também os segurados.
O seguro como produto tem características próprias que o levam à seguinte situação: quando alguém compra um produto ou serviço, em geral objetiva a imediata utilização; e, na maioria das vezes, essa utilização se reveste de grande entusiasmo e prazer; se não, vejamos: a compra de um carro novo, uma casa nova, um novo aparelho de TV, uma viagem de férias, sem dúvida levarão seus adquirentes até a uma certa euforia no momento da entrega desses bens ou utilização desses serviços. No seguro, a entrega do produto, ou seja, o pagamento da indenização pode representar um alívio, mas certamente não poderá provocar nenhuma euforia, visto que algo ruim aconteceu para justificar tal recebimento.
Por tudo isso, torna-se cada vez mais necessário que o segmento segurador nacional busque melhor entendimento com a sociedade brasileira e mostre a ela toda a positividade do seguro. Um avanço presente é a criação de ouvidorias, cujo propósito é ouvir o segurado e identificar se ele tem o direito que lhe possa ter sido negado quando do trâmite de uma indenização.
Mais do que nunca a indústria do seguro precisa desenvolver produtos que busquem essencialmente a eficácia, de sorte que os segurados tenham convicção de que tomaram a medida certa ao decidirem pelo seguro, e estejam permanentemente confiantes de que, quando precisarem, terão suas necessidades atendidas. Para isso é necessário comunicar-se cada vez melhor, aprimorando constantemente a relação de confiança que deve existir entre as partes.
Também os compradores de seguros, os segurados, precisam entender o seguro na sua essência para fazer uso, de maneira correta e na medida certa, do serviço que contrataram, não esperando nem mais nem menos do que têm direito.
Em síntese, as relações entre segurados, seguradoras e todos os que operam o segmento precisam ser cada vez mais positivas, transparentes, éticas em todos os sentidos, voltadas para o aperfeiçoamento dessa extraordinária instituição chamada seguro.
Fonte: CQCS
